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5 de fevereiro
5º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(ano B)Leitura do dia: Mc 1, 29-39
Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo
Deus procura os homens, e não o que é humano
Aquele que escutou atentamente o evangelho de hoje, aprenderá por que motivo o Senhor do céu e restaurador do universo penetrou na habitação terrestre dos seus servos. Mas não há por que admirar-se de que ele, tendo vindo misericordiosamente socorrer, se tenha aproximado de todos com bondade.
Considerai o que atraiu Cristo à casa de Pedro: não foi certamente o desejo de repousar, mas a enfermidade da doente; não a necessidade de alimentar-se, mas exercer o seu poder divino. Na casa de Pedro não se derramavam vinhos, mas lágrimas. Por isso Cristo ali entrou, não para banquetear-se, mas para restituir a vida. Deus procura homens, e não o que é humano; deseja dar os bens do céu, e não alcançar os da terra. Pois Cristo veio para nos restaurar, não para pedir o que é nosso.
Entrando na casa de Pedro, Jesus viu a sogra dele acamada, com febre (Mt 8, 14). Cristo, tendo entrado na casa de Pedro, percebeu logo para que viera. Não olhou o aspecto da casa, nem a multidão que acorria, nem as honras com que o saudavam, nem a reunião da família; não prestou atenção ao aparato dos preparativos, mas aos gemidos da enferma e ao ardor da febre. Percebeu o perigo da que já estava desenganada, e imediatamente estendeu a mão para a ação divina. Cristo ainda não tivera tempo de debruçar-se sobre a humanidade da mulher, quando a enferma se levantou para ir ao encontro da divindade. Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou (Mt 8, 15). Vede como a febre abandona aquela a quem Cristo segura! Onde estiver presente o autor da salvação não permanece a enfermidade; não haverá acesso para a morte onde houver entrado aquele que dá a vida.
Ao anoitecer, levaram a Jesus muitos possessos. Ele expulsou os espíritos pela palavra (Mt 8, 16). Ao anoitecer, isto é, quando se conclui a jornada terrestre, quando o mundo se afasta da luz do tempo. Chega à noite aquele que restitui a luz, para dar-nos o dia sem ocaso, aos gentios, que caminhamos na noite deste mundo.
Ao anoitecer, isto é, nos últimos tempos, nós gentios, somos oferecidos a Deus pelo sacrifício filial e solene dos apóstolos, sendo afugentados os demônios que tinham poder sobre nós, por causa do culto dos ídolos. Pois, enquanto ignorávamos o Deus único, servíamos a inúmeros deuses em sacrílega e hedionda escravidão.
Cristo não veio a nós pela carne, mas pela palavra. Quando a fé veio pela pregação e a pregação, pela palavra (cf. Rm 10, 17), ele nos libertou da escravidão dos demônios, reduzindo a prisioneiros aqueles ímpios tiranos. Desse momento em diante os demônios, que nos dominavam, caíram em nossa mãos, submetidos ao nosso controle. Que a nossa infidelidade, irmãos, não nos faça agora voltar a ser seus escravos; mas recomendando-nos, como também as nossas ações, ao Senhor, entreguemo-nos ao Pai e creiamos em Deus. Porque a vida do homem está nas mãos de Deus, que guia como Pai as ações de seus filhos, e não deixa, como Senhor, de cuidar de sua família.
Sermo 18
(Patrologia Latina 52, 246-249)
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